terça-feira, 23 de abril de 2013

Grande e final desabafo...

Como é que posso explicar o que se passa comigo se nem eu própria consigo perceber?
Desilusões, já sofri a minha dose delas. Esperança desfeita, demasiadas vezes...
Mas porque é que a minha parte emocional vira farrapo quando algo foge do meu controlo? Eu não controlo nada, é verdade, mas se não sou eu a tomar parte da decisão, então é uma decisão que me custa a aceitar.
Revelei-me demais, provavelmente foi isso que aconteceu... Mas se não me tivesse revelado, iria se calhar prolongar a coisa por mais algum tempo, iria enganar-me e tentar ficar com migalhas... Não sou mulher para migalhas!
Sinto-me novamente a ter as crises existenciais da adolescência (que se prolongaram até aos 23 anos)... Tive-as até encontrar a única pessoa que realmente amei, e que embora já sem amor, tenho muito carinho e amizade. Foi essa pessoa que ontem me deu na cabeça, desiludido por me estar a ver cometer os mesmos erros do passado, e com as mesmas pessoas. Mas foi essa pessoa que ontem teve uma palavra amiga e uma mão para me oferecer. Foi essa pessoa que me arrastou para fora da cama, quando eu me sentia culpada e a pior pessoa do mundo por me ter envolvido novamente com alguém que já em tempos passados tinha sido um erro.
É certo que o assustei, porque abri ligeiramente o meu coração, por desejos e sonhos antigos, ou até talvez numa tentativa de retroceder 5 anos na minha vida, mas agora com um final feliz. Doeu mais do que terminar um relacionamento saturado de 4 anos.
Foram 4 vezes de desejo cada vez mais incontrolável. E eu deixo-me abater assim por isso?
Quem sou eu afinal? A mesma adolescente depressiva ou uma mulher?
Ou serei tão má pessoa que o meu futuro é tapar buracos?
Porque é que não nutri a minha antiga relação, não cuidei dela, embalei-a e investi mais? Porque é que não me acomodei o que tinha?
A euforia do acabou... Para 2 meses depois estar assim, lá no fundo do poço do qual tanto o Miguel se esforçou para e tirar. Só que agora este poço é mais vazio, mais silencioso, mais deprimente, mas angustiante... Porque agora vivo sozinha. Não há motivação para fazer comida, ou mesmo comer, ou lavar a louça, ou roupa, nem sequer para cuidar do gato... Até má dona do meu Pablo eu me tornei.
Então é ver-me desaparecer, em peso e em pessoa, com medo de uma possível depressão à porta, por razão nenhuma em concreto.
Não me descobri. Não sei o que quero da vida. Não sei o que esperar deste país, nem da minha profissão.
Tenho vergonha destes últimos 2 meses, da pessoa que fui, das expectativas que tive, como se desse relacionamento carnal eu tivesse toda a felicidade, migalhas apenas... Era por isso que quando ele virava as costas e saía, eu me sentia insatisfeita, insegura, ansiosa, inquieta. Como se ele fosse a minha droga e eu não  soubesse onde e quando teria a minha próxima dose. Era dependente dele para ter alguma alegria na minha vida, neste momento tão negro!
Mas a verdade, após este testamento, é que eu não posso amar ninguém antes de me amar a mim própria; o que fazer para isto mudar eu não sei; nem sei por onde começar...
É levar como os toxicodependentes, um dia de cada vez...
E que ninguém me toque, e que ninguém se aproxime... E que alguém se arrependa! A partir daqui isto é assunto morto e enterrado.
Vou ser uma Mulher!

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